Favoritos e singulares: os filmes e eu – Parte 1

A ideia deste post vem me rondando há bastante tempo. Já respondi uma tag esses dias sobre filmes, mas não explicava nela de que maneira algumas produções ali listadas são importantes para mim e marcaram, em maior ou menor escala, minha vida. Pois bem, aproveitando minhas últimas semanas de férias, chegou a hora de escrevê-lo.

Já adianto que dividirei essa publicação em duas partes porque fica menos cansativo para quem lê e para mim no momento de montar o post. Não quero somente escrever o nome dos filmes, quero explicar o que me encanta neles e colocar meus trechos e falas favoritos. Ah, e me perdoem pelos trechos sem legendas, mas é bem complicado encontrá-los e eu prezo pelo áudio original das cenas. 🙂
Não há ordem de preferência ou cronologia nesta lista: os filmes vão surgindo de acordo com minha inspiração no momento, ok? Vamos lá.

 – Titanic, 1997

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Nos últimos dois dias, após receber a edição em Blu-Ray que eu LOGICAMENTE comprei, estive assistindo ao filme e às muitas horas de extras deste filme que foi um estouro de bilheteria, comentários, reportagens e prêmios do Oscar e que ocupa um lugar muito importante neste coraçãozinho aqui.
 Eu tinha feito 12 anos havia pouco tempo quando ele finalmente saiu para os cinemas e eu fui vê-lo certo domingo à tarde com minha mãe. Como era um filme de 3 horas e uns quebrados, havia um intervalo entre as fitas; naquele momento, eu já estava apaixonada por três coisas:
– Jack Dawson (estaria mentindo se dissesse que não);
– Rose Bukater (e sua vontade de ser mais do que queriam que ela fosse);
– O filme todo (fotografia, figurino, música, enredo, cenários…).

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(“O que foi? Você acha que uma garota da 1ª classe não pode beber?”)
 Ver o naufrágio mais comentado da História e ficar triste porque Jack não sobrevive foram consequências dessas 3 horas e pouco, mas, na realidade, cada vez que assisto, entendo mais sobre tudo. Nem toda história de amor precisa ter um final de conto de fadas para ter sido bela e ter valido a pena, e Titanic me mostrou isso. Afinal, Jack salvou Rose e ela viveu tudo o que não viveria sem ele ter aparecido na vida dela. Essa Rose forte, inteligente, inconformada com padrões e que ansiava por liberdade era apenas um reflexo de mim mesma, uma garota que parece ter nascido para ser “do contra” tantas vezes.

rose

(“E tudo o que sinto é que estou parada no meio de uma sala gritando o mais alto possível e ninguém sequer nota”.
Contar algo que aconteceu de verdade (o naufrágio) também é complicadíssimo porque, por melhor que esteja, sempre esbarrará na História e correrá o risco de ficar forçado ou mesmo estúpido. James Cameron consegue mostrar a tragédia do Titanic de maneira bela, escalando para o elenco atores bem – BEM mesmo – parecidos com personagens importantes desta época e reproduzindo de maneira bem fiel o navio. Claro, adicionar a história de amor foi inteligência pura para o sucesso, mas, sejamos honestos: se você quer ver o acontecimento trágico, há diversos documentários muito bem produzidos para assistir. Titanic era uma produção de Hollywood e que, como tal, deveria ir além do que “todo mundo já sabia” – o navio afunda – e contar coisas que poderiam muito bem ter acontecido. E, cara, como ele acertou em cheio!

t6

Titanic é importante para mim não apenas por minha curiosidade sobre História – pesquisei muito depois sobre o naufrágio –, pela produção ótima ou por uma história de amor linda, mas e principalmente por mostrar que uma garota com tantas adversidades pode se libertar e viver como sonhou, mesmo quando a situação parece perdida. E, claro, se ela encontrar no meio do caminho um Jack Dawson pra chamar de seu, melhor ainda. 😛

jack

(“O que você desejaria?” – Ah, Jack, e você ainda pergunta? HAHAHA 😛 )
 Deixo aqui uma cena excluída (cara, esse filme teria 4 horas se contivesse todas as cenas cortadas!) que acho linda e na qual me identifico bastante com a Rose.

E, para aqueles que criticam esse filme, um recado de fã: 😛

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(“Cale a boca”)

– O poderoso chefão, 1972

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Tenho uma ligação com a Itália desde criança que não sei explicar. Sim, meus bisavós maternos eram de lá, alguns parentes por parte de pai também, mas é bem mais profundo que isso. A primeira vez que assisti a esse filme do começo ao final foi há 4 anos. Já era muito fã do trabalho de Al Pacino e Marlon Brando e não poderia, como fã do cinema, nunca ter visto esse filme. Desde então, assisto sempre que posso. Já vi os três filmes da história, mas o primeiro sempre será meu predileto.

vito

É nessa parte que aprendemos a admirar Don Vito Corleone como chefe de família. Inteligente, calmo e justo, é um homem admirável com quatro filhos muito diferentes entre si: Frederico (Freddo), extremamente fraco fisicamente e de caráter, Santino (Sonny), explosivo demais para ser chefe, Michael, seu predileto e Constanzia (Connie), briguenta, chorona e boba. De imediato, tive repulsa de Freddo e Connie e me apaixonei por Michael. Embora seu pai nunca tenha querido que ele se tornasse o chefe da família mais adiante, ninguém mais ocuparia este posto tão bem e com a postura necessária.

The Godfather 8

É nesta cena que tenho certeza de quão bom chefe Michael será:

Muitos dizem que Michael mereceu o final de vida que teve “pelo que fez em vida”. Com o devido respeito, tenho vontade de dar na cara de quem repete isso! O único erro dele, ao meu ver, foi ter se casado com uma dondoca americana que nunca serviu para ser mulher de um chefe da máfia. Eliminou quem era necessário, seja por questão dos negócios, seja por deslealdade pessoal, mas, ao contrário do que muitos defendem, foi também inteligente, calmo e justo a seu modo.

michael

A interpretação de Al Pacino, indo de um rapaz que se torna homem e Don de um momento para outro sem perder a serenidade nos gestos, no olhar e na fala e, ao mesmo tempo, mostrando-se explosivo e duro, é brilhante e quem nunca viu, pelo amor de Deus e da sétima arte, veja. O quanto antes. Pode até fechar esse post e ir correndo procurar o filme. 😀 Isso e a história de uma família lutando pelo poder e para continuar unida me conquistaram de imediato.

 

(A cena do cavalo, MEU DEUS, é clássica e ótima, hahaha) 😀
E essa cena… essa cena deve ser sentida.

 

– O segredo dos seus olhos, 1999

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Como fã de Ricardo Darín, já assisti a praticamente todos os filmes dele. Esse, entretanto, é o que mais vezes revi, e muitos hão de concordar: é um dos melhores longas em que o ator já trabalhou. Um filme para ver diversas vezes e em diferentes momentos da vida – acreditem, a percepção da história muda muito –, com a mente e o coração abertos.
 Sou fã do filme do início ao final. O personagem de Darín, Benjamín Espósito, é um homem que obteve sucesso em sua vida profissional e, aposentado, pretende escrever um livro. A questão é que ele quer escrever sobre um único caso: o homicídio de Liliana Colotto, caso em que se sabia quem era o culpado, mas não se podia prendê-lo.
O mais significativo para Benjamín, entretanto, não era o caso por si próprio, nem os olhos “em estado de amor puro” com que o marido de Liliana, Ricardo Morales, olhava quando falava da esposa, ou mesmo a certeza de quem era o assassino “pelos olhos”. O que importava era ter conhecido naquela mesma época Irene – interpretada pela incrível Soledad   Villamil, repetindo o par romântico com Darín como em “El mismo amor, la misma lluvia” –, o amor de sua vida, o qual Benjamín nunca havia confessado. Um amor correspondido, mas temeroso dos dois lados, que nem a distância, nem o tempo apagaram.

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Muitos momentos deste filme são singulares para mim, talvez porque, assim como Benjamín e Irene, sou temerosa com relação a sentimentos fortes. “Temo”, como escreve o personagem de Darín num pedaço de papel ao acordar no meio da madrugada – mania de escritor, haha – e, ao mesmo tempo, “amo”, como ele que, ao final da história, completa sua sentença com a primeira letra que conhecemos no alfabeto e forma a única frase que deveras importara durante tantos anos.

te-amo

Benjamín se anima a dizer o que deve dizer, talvez por estar já sem o peso de um caso que por fim se resolve – num dos momentos mais magníficos do filme – e por ter a maturidade “dos velhos”. “Cierra la puerta”, pede Irene. É o final mais simples, mas mais intenso e singular que poderia existir para essa história.

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Ah, sim, isso também é importante: há muito, mas muito humor e muito bem feito neste enredo, “culpa” do personagem excelente de Pablo Sandoval, interpretado pelo ótimo Guillermo Francella. A cena a seguir é MÍTICA! 😀

Meus dois momentos favoritos estão a seguir.

 

“¿Cómo se hace para vivir uma vida vacía? ¿Cómo se hace para vivir uma vida llena de nada? ¿Cómo se hace?”

 

Por Luciana Campos.
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