Favoritos e singulares: os filmes e eu – Parte 2

E a segunda parte dos filmes mais singulares para mim está aqui, gente (mais rápido do que eu mesma pensava, HAHAHA). A verdade é que escrever sobre isso me agrada muito, e a cada filme comentado, mais vontade ainda tenho de revê-los. 😀

Lá vamos nós (quem lembrou da bruxa no desenho do Pica Pau agora, heim??? 😛 )
– Top Gun – Ases indomáveis, 1986

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Muitos são os sentimentos que tenho quando se trata deste filme, outro cuja edição especial de colecionador ocupa uma de minhas prateleiras e o qual revejo sempre. Adoro a vibe Anos 80 – minha década favorita – que o envolve, a trilha sonora incrível (vocês podem conferi-la aqui), a independência da Charlie, o senso de humor do Goose, óculos modelo aviador, jaquetas de couro, Tom Cruise lindão e, claro, o enredo.

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Ok, pode parecer clichê a história de um rapaz realmente ótimo como piloto de caças da Marinha dos EUA que vive lutando contra o fantasma de seu pai, também piloto, que supostamente cometeu um erro grave em combate e morreu. Pete Mitchell, mais conhecido como Maverick, é muito bom, muito corajoso, mas muito doido no ar, o que causa ira e desconfiança em quem o acompanha. Mav – para os íntimos 😛 )vai provando entre momentos engraçados, tensos, românticos e tristes ao longo do filme que é mesmo O cara ali.

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De clichê, meus caros, esse enredo tem mesmo bastante coisa, mas é o tal do clichê que funciona. Um protagonista gato com uma história de heroísmo e superação, uma instrutora que se apaixona por ele (aliás, QUEM NÃO SE APAIXONARIA, NÈ?), o melhor amigo morto (cena mais triste de todas, cara!), situações de perigo e redenção. Ah, e claro, um idiota antagonista que se acha melhor que todo mundo pra encher o saco (desde essa época eu ODEIO o Val Kilmer!). Isso tudo faz de Top Gun um filme daqueles que te prendem na cadeira do começo ao final. Você torce pelo Maverick nos céus, pra ele e a Charlie ficarem juntos (a cena da “perseguição” no trânsito e o beijo é demais!), para ele superar a morte do amigo e se afirmar como melhor piloto. E canta “Danger Zone” junto com o Kenny Loggins, hahaha. 😀
Top Gun é singular para mim porque mostra essa superação de alguém que, mesmo sendo o melhor, deve provar isto duramente. Quantas vezes isso aconteceu e acontece comigo? Além disso, a trilha sonora contém uma música que trata do amor de um modo tão utópico, mas, tão lindo, que me emociona toda santa vez que a ouço (inclusive, ela é uma das que nunca sai da minha playlist). “Take my breath away…” ❤ Quem nunca viu esse videoclipe, por favor, veja!

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(Ah, sim, Charlie, ele era O cara! 😀 )
Minhas cenas favoritas:

A melhor cena do filme:

 

– O curioso caso de Benjamin Button, 2008

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“Não há nada de errado com a velhice”. Poucas frases conseguem ser tão verdadeiras quanto esta, dita por Benjamin Button no auge dos 15 ou 16 anos – aparentando ter uns 70. Demorei para assistir a esse filme (ainda quero ler o livro), mas, como gosto de dizer, creio tê-lo visto no momento mais correto, quando já tinha maturidade para, de fato, compreender a mensagem ali contida.

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 Um relógio que andava para trás é a imagem perfeita para a história. Alguns dirão, “lógico, se o homem nasce velho”, mas não é apenas isso: “nascer velho” foi o motivo de Benjamin ter vivido tudo com a intensidade e a perspectiva com as quais viveu. Crescer num asilo também, vendo todos os que amou partindo antes dele, como uma grande amiga lhe disse. Quantas vezes na vida, ainda que tenhamos nascido “jovens”, vemos essa partida, não é mesmo? Talvez o fato de Benjamin ter ido na contramão do curso natural das coisas tenha diminuído um pouco essa dor.

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Entretanto, a dor da separação de alguém vivo doeria muito mais para ele, justamente por esse relógio correndo ao revés. Apaixonando-se por Daisy quando ambos eram crianças, esperou muito tempo para tê-la consigo – seja porque seguiram caminhos diversos, seja por ela tê-lo impedido – e, conseguindo, decidiu ir embora depois de um belo tempo juntos. Afinal, “o tempo não para” e não pararia para nenhum dos dois.

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O que mais me emociona – a ponto de arrancar lágrimas dos olhos – nesse filme é enxergar a vida de duas perspectivas distintas: envelhecendo e rejuvenescendo. Há inúmeros modos de retardarmos a velhice aparente porque, para muitos, ela significa frustração, derrota, fim; no entanto, será que freá-la adianta, uma vez que, cedo ou tarde, ela chegará e nós partiremos daqui? Qual é o problema em “ser velho” se todos vão ser um dia? Preocupamo-nos tanto com aparências e status sociais que nos esquecemos do que realmente importa: amadurecer enquanto envelhecemos, aprendendo a cada instante a fim de chegarmos ao final com a sensação de vitória por ter vivido. Benjamin já nasceu no final e só viveu para ver o começo por ter sido amparado por Queenie; para ele, ser velho significava viver e aprender sempre mais; ser jovem ou muito jovem, esquecer-se e despedir-se, porém, após ter vivido intensamente.
 Quantas vezes somos capazes de pensar o que deveras é ser jovem, envelhecer e viver? Esse filme consegue mostrar que tudo pode significar algo bom, bastando, para isso, olhar as coisas sob perspectivas diversas.
Os dois momentos abaixo são belíssimos. Eis a verdadeira síntese da vida:

“Se quer saber, nunca é tarde demais, ou no meu caso, cedo demais pra ser quem você quiser ser. Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar ou ficar como está, não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que você a encare de forma positiva.
Espero que veja coisas que te surpreendam, que sinta coisas que nunca sentiu antes.
Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes, que tenha uma vida da qual você se orgulhe e, e se você descobrir que não tem, espero que tenha forças para conseguir começar novamente.”

“Algumas pessoas nascem para se sentar na margem de um rio; outras são atingidas por um raio. Algumas têm ouvido para a música, outras são artistas. Algumas nadam, outras fabricam botões. Algumas conhecem Shakespeare, outras são mães. E algumas pessoas… dançam.”
– O sorriso de Mona Lisa, 2003

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Costumo dizer que Katherine Watson é uma de minhas heroínas. Essa personagem interpretada pela maravilhosa Julia Roberts em O sorriso de Mona Lisa é brilhante, ainda mais para quem também é professora de, entre outras disciplinas, História da Arte. Não apenas a didática aplicada às aulas, com alunas de um colégio tradicional – que, em sua grande maioria, tinham a mente antiquada – resistentes à quebra de paradigmas, mas a maneira independente e forte com que ela encarava a vida e a sociedade. Numa época em que mulheres tinham o único e exclusivo papel de constituir famílias e cuidar destas, dependendo dos maridos, ser uma mulher com ideias libertárias não era nada fácil.

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Mas Katherine se mantém firme, e isso é o que mais me fascina nela. Quer que suas alunas enxerguem “além da imagem”, na Arte e na vida. Não se incomoda que as mulheres sejam casadas e donas de casa, mas que sejam somente isto por pensar que não servem para mais nada. Enquanto isso, é ela quem incomoda os outros por ter “pelo menos 30” e não ser casada. Aliás, Katherine termina um relacionamento com seu namorado quando ele a pede em casamento e ela está confusa sobre seus sentimentos. “Com certeza ficará encalhada”, pensavam muitos (qualquer semelhança com essa época e a de hoje é mera coincidência).

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(“Tudo é erótico”. Adoro a personagem Gisele, HAHAHA)
Enfim, entre enfrentamentos com Beth Warren – e quantas alunas como ela existem! – e a diretora do colégio, um romance com o “falso” professor de italiano e aulas muito além dos livros, Katherine consegue mudar algumas coisas sem perder sua essência, decidindo ir embora quando tentam torná-la uma mulher nos padrões. E, sendo verdadeira consigo mesma, ela consegue até mesmo mudar a vida da aluna que mais a enfrentou.

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O que mais me emociona nessa história? O espírito de liberdade que brota no interior das jovens mulheres da época, tão acostumadas a ouvir que “não poderiam” muita coisa, e que Katherine tanto lutou para despertar. A liderança de uma professora que abraça seu papel de formadora de indivíduos, transformando seus mundos ou ao menos os ensinando a fazerem isso. E, claro, a constatação de que uma mulher pode ser o que ela quiser e depender de si própria.
Minhas cenas favoritas (destaque para o choque de realidade que Katherine provoca nas garotas no último vídeo).

“Então, por que não se casam ao entrar aqui? Dessa forma, podem se formar sem nem colocar seus pés no campus”. NOSSA! 😀

“O que significa isso?” :/

 

– Encontro marcado, 1999

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“Esteja disponível. Quem sabe o céu pode se abrir”. Este conselho de Bill Parish para sua filha Susan me toca profundamente e faz minha garganta apertar cada vez que revejo a cena. Assim como Susan, sou bem cética com relação ao amor, aquele tipo de amor que todo mundo deveria ter ao menos uma vez na vida, sabe? Enfim, ela o encontra, de uma maneira um tanto quanto peculiar neste que, tenho certeza disto, será um de meus filmes favoritos para sempre.

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(“Terminar a jornada e não ter se apaixonado profundamente, bem, é como se você não tivesse vivido. Mas você tem que tentar, porque se não tiver tentado, não terá vivido”)
O “encontro marcado” diz respeito ao momento em que Bill – interpretado pelo brilhante Anthony Hopkins – recebe a visita da morte, encarnada no corpo do rapaz – interpretado por Brad Pitt – que Susan conhece num café despretensiosamente antes de ir trabalhar e pelo qual se apaixona, mesmo sem saber ainda. E, porque não, tal encontro também se refere ao de Susan e esse rapaz, que seu pai sabiamente disse que ela encontraria “caso estivesse disponível”.

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(“Gosto muito de você”)
Encontro Marcado é um filme longo, mas impossível de ser contado em menos tempo. O enredo – Bill faz com a morte um acordo para ter mais dias de vida em troca de mostrar a ela o que era viver – prende a atenção: você quer que Susan viva o amor de verdade, mas o rapaz que conhece supostamente morre – numa cena rápida, mas, chocante –; quer ver como a Morte se adaptará na Terra no corpo do mesmo rapaz – o que rende cenas muito divertidas –; fica feliz por Susan estar apaixonada, mas confusa, porque aquele não é o mesmo cara do café; quer saber como terminará a jornada de Bill. Mas o que acontece no final é inesperado, te deixa sem palavras e com os olhos marejados.

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Encontrar alguém para amar, perder alguém que se ama, continuar a vida e completar o caminho da vida: temas muito bem explorados por um filme fantástico, que me faz pensar no que fazemos com nosso tempo por aqui e como isso é mesmo só incumbência nossa.
(“Eu deveria ter medo? / Um homem como você, não”)
Minhas cenas preferidas:

“Quem sabe? O céu pode se abrir”

“Sem arrependimentos”

E então: quais são os seus filmes favoritos e singulares? Por quê?

 

Por Luciana Campos.
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