Arquivo da categoria: Poesia

Dose de Drummond

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade.

Anúncios

Considerações sobre o “escutar” de Rumi

Stana Katic, um dos ser humanos mais inteligentes e espetaculares desse planeta, compartilhou há um tempo uma poesia de Rumi, um poeta, teólogo e jurista sufi persa do século XIII. Por amar Literatura, ainda que não seja especialista em analisar poesia, decidi fazer algumas considerações sobre “Escutar”, o poema em questão.

Continuar lendo Considerações sobre o “escutar” de Rumi

Neruda, la poesía y el alma

red_rose_190268

Pablo Neruda é, certamente, meu poeta favorito. Drummond, Pessoa e Octavio Paz o seguem, mas nenhum é capaz de transmitir emoções, quaisquer que sejam, com a intensidade deste chileno de Parral que viveu tanto em relativamente pouco tempo.
La “sed de ti” me faz ter sede deste poema. Versos de um amor não utópico, de desejos e sentimentos reais o suficiente para hacerte sentirlo con solamente la lectura.
“Sed de ti me acosa en las noches hambrientas.
Trémula mano roja que hasta su vida se alza.
Ebria de sed, loca sed, sed de selva en sequía.
Sed de metal ardiendo, sed de raíces ávidas……
Por eso eres la sed y lo que ha de saciarla.
Cómo poder no amarte si he de amarte por eso.
Si ésa es la amarra cómo poder cortarla, cómo.
Cómo si hasta mis huesos tienen sed de tus huesos.
Sed de ti, guirnalda atroz y dulce.
Sed de ti que en las noches me muerde como un perro.
Los ojos tienen sed, para qué están tus ojos.
La boca tiene sed, para qué están tus besos.
El alma está incendiada de estas brasas que te aman.
El cuerpo incendio vivo que ha de quemar tu cuerpo.
De sed. Sed infinita. Sed que busca tu sed.
Y en ella se aniquila como el agua en el fuego”.
Pablo Neruda.