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É, Jen: todas estamos fartas.

Lembro-me de quando aprendi o que eram ciclos em uma aula de Ciências no Ensino Fundamental. Tudo “vai e volta”, seguindo relações cíclicas que causam transformações nos elementos desse ciclo. E é isso o mais importante: a água que evapora e volta em forma de chuva, as folhas perdidas das árvores ou cada botão de rosa tem suas singularidades, embora pertencentes a ciclos que se repetem.
É frustrante saber, na contramão, que o animal racional da natureza – ou que ao menos deveria sê-lo – passa por ciclos e muitas vezes não se transforma de maneira completa. Alguns não mudam e são a mesma pessoa a vida inteira, cometendo os mesmos erros, julgamentos e repetindo os discursos de eras atrás. Há o aceitável e o inaceitável no que se refere a aparência, estado civil, emprego, comportamento, família, sexo, carreira; se você não se encaixa no aceitável, torna-se um pária e será sempre perseguido por ser “diferente”.

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Censura, falta de diálogo e gerações confusas

 Nasci na metade dos anos 80, portanto, passei boa parte da minha infância nos anos 90 e minha adolescência entre o final destes e o início da era 2000. Quase sempre tivemos TV e rádio em casa e acesso a revistas e jornais, assim como a diversos produtos comercializados para massas nessas épocas. Logo, cresci cercada de propagandas e produtos da mídia dos mais diversos tipos.

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O tempo não para. E tudo bem.

13624814_mg9giO tempo não para. Mais que o título de uma famosa música do Cazuza, essa frase pesa como uma sentença e é uma daquelas “verdades universais” que, cedo ou tarde, todo mundo terá que encarar. Isso não é, entretanto, algo ruim.
 Nascemos, crescemos, envelhecemos, morremos. Ganhos e perdas fazem parte do processo. E somos exigidos, por vezes, além do que é justo, a várias coisas: a arranjar tempo pra tudo, a viver como se cada dia fosse o derradeiro – Carpe Diem!. Conseguimos fazer tudo? Arrisco-me a dizer que, na medida do possível, sim. Somos felizes? Afirmo: nós nos mantemos felizes, mas sempre acreditaremos estar faltando tempo para algo que, verdadeiramente, nos completaria. Ah, o tempo que não para, nunca!
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Ela, a Lua e as Estrelas

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Ela, a Lua e as estrelas. Um relacionamento que existe desde sempre. “É porque eu gostava de passear contigo à noite, no quintal, para olhar o céu”, justificou a mãe. E talvez seja mesmo por isso; mas, como todo relacionamento idealizado de contos e romances, este não necessita ser explicado, apenas vivido.
Nunca quis ser astronauta, mas sonhava com um telescópio para observar o céu, ou mesmo, uma luneta. Não os teve, mas seu caso de amor só fez crescer com o tempo. Passou a pesquisar nomes e posições de estrelas, fases da Lua e aprendeu que planetas são estrelas que não piscam. Teve a sorte de ter visto, ao menos, umas quatro estrelas cadentes até hoje e, para cada “queda”, fez um pedido. Claro, nem é preciso dizer que sempre viu São Jorge e o cavalo refletidos em nosso satélite natural.
O fato é que, para ela, nesse meio celeste estão as respostas para muitas dúvidas e não, isto nada tem a ver com astrologia. Basta olhar para um céu estrelado e refletir sobre o que a aflige: o coração se acalma, a mente clareia, os olhos enxergam e os ouvidos, talvez, ouçam – como um dia já escreveu Bilac sobre as estrelas. Porque olhando para lá, ela percebe que há infinitos elementos que não são visíveis; que ela é parte de um universo muito maior e que, como todas as noites os astros enfeitarão o céu, ela tem a chance de começar o que precisa e terminar o necessário.
Olhando estrelas, admirando-se com a luz da Lua, procurando onde estão “as três Marias”, ela se emociona e pensa: “por isso estamos vivos, para admirar coisas assim!”. E ela, cética para tantos temas, crê no que enxerga neste céu estrelado.
Esta é a mágica.

Tem mesmo que se justificar? Vá viver!

Tanto se prega a liberdade de expressão e se luta pelo direito de ser livre no mundo que, a meu ver, o ser humano nunca esteve tão preso. A cada centavo ganho ou gasto, a cada peça de roupa vestida, a cada opinião exteriorizada, a cada música ouvida e em muitos outros pontos, parece haver alguém julgando, criticando e afirmando “você não deveria, viu!”. E o que isso faz? Transforma pessoas em “culpados” que sentem a necessidade de justificar suas escolhas.

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